Cultura Portuguesa: Azulejos e Calçada

O azulejo e a calçada portuguesa são marcas inconfundíveis da cultura e da arte portuguesas. Um pouco por todo o país, é possível encontrar exemplos destes modos de decoração pública que os artistas portugueses aprimoraram ao longo de séculos.

Azulejos

O azulejo é uma das principais manifestações culturais e arquitetónicas de Portugal. Muitas pessoas julgam que a palavra deriva de “azul”, por serem dessa cor a grande maioria das cenas artísticas representadas nos azulejos portugueses; contudo, a palavra deriva na realidade de um termo árabe que significa “pequena pedra polida”. Trata-se de uma herança que a cultura islâmica deixou no nosso país e que ao longo dos séculos dhandcrafted-heritage-portuguese-tiles-and-luxury-furniture-14esenvolveu um estilo próprio. Ao contrário de outras influências mouriscas, não é só característica do Sul; encontramos por todo o país igrejas decoradas com azulejos, como é o caso da igreja setecentista de Santo Ildefonso, no Porto.

Já bem no século XX, o azulejo enquanto técnica de decoração continuou a ser cultivado, com motivos diferenciados, consoante a época ou o gosto do artista. Encontra-se um exemplo clássico na decoração da estação de S. Bento, no Porto, com cenas históricas produzidas por Jorge Colaço no início do século XX, e exemplos modernos nos azulejos das estações de metropolitano do Martim Moniz (Maria Keil, 1971) ou da avenida Infante Santo (Júlio Pomar, 1958), ambos em Lisboa.

Calçada

A chamada calçada portuguesa é outra idiossincrasia nacional. Com as suas origens remontando ao século XVI, é no século XIX que surgem os primeiros trabalhos de pavimentação de ruas com paralelepípedos em pedra calcária, geralmente de forma regular, e formando padrões consoante o gosto do artista ou da edilidade local, com contraste entre pedras brancas e pretas. A calçada tornou-se igualmente popular em alguns pontos do globo, nomeadamente no Brasil, onde foi a técnica de pavimentação utilizada no famoso “calçadão” da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, a calçada portuguesa tem sido alvo de críticas, principalmente pelo obstáculo que pode constituir para deficientes motores e pessoas com mobilidade reduzida, principalmente se as autarquias não investirem fortemente na sua manutenção regular.